Quando um cão encontra um osso, não precisa de ser um grande osso como o de um pernil de porco, pode até ser um osso fraquinho, como o da asa de um frango, mas agarra-se a ele com todos os dentes e patas que tem e nunca mais o larga, nem quando o osso já está podre e escuro e cheio de dentadas e chupado até ao tutano. Os dentes e patas continuam a ferrar, a chupar, a trincar e a lamber como se o mundo fosse acabar. E quando o osso é enterrado num buraco, como se de uma doce lembrança se tratasse e até parece que o cão já não tem qualquer interesse nele e o pobre osso ficará para sempre enterrado num buraco, eis que o cão vai a correr desenterrá-lo e continua a ferrá-lo e a chupá-lo até à exaustão. Pode até aparecer outro osso maior e mais suculento com que o cão brinca durante uns segundos, mas isso passa-lhe num ápice e o velho e esgotado osso volta a ser o osso favorito daquele cão. Ser um osso velho é fodido.
Pequena nota: não se preocupem se isto não vos fizer qualquer sentido, nem para mim faz, apesar de haver a quem faça.