segunda-feira, 31 de março de 2014

Que vou chamar a isto?

A vontadinha de vir cá debitar parvoíces é tanta como a de sair de casa para ir trabalhar e para a vida em geral, mas nada temam que eu não vos "deslargo", comentarei os vossos posts e coiso e tal. O que me fez vir cá escrever tem a ver com um assunto que me apoquentou. Ultimamente tenho tentado seguir a máxima do falar menos, ouvir mais, tentar ponderar os dois lados ou mais da questão, antes de me pronunciar, não me pronunciar de todo, senão sai-me um vai-te *&$#? (se calhar saiam-me destes às resmas!), enfim, acho que ando a treinar para Maria Umbelina dos Anjos, preparem um nicho e reservem o voo para Roma, que eu vou subir aos altares. Adiante, dizia eu que era algo que me deu que pensar. Então é assim, se uma pessoa pobre, que vai buscar comida a uma associação tem o direito de ser esquisitinha com o prato que lhe cai na rifa? Pode dizer, "eu não quero isto, eu não gosto, prefiro ir comer qualquer coisa a um café", isto é aceitável, ou é algo a que qualquer pessoa que não está na mesma situação, simplesmente pode dizer "pobre e mal agradecido", "é porque não tem fome, ou não precisa" e lá vai de papo cheio de razão? Será que se nos pusermos no lugar dessa pessoa, e se nos dessem algo de que não gostamos, simplesmente íamos aceitar porque "a cavalo dado não se olha o dente"? Eu nos tempos antigos, atsmuda (antes de tentar ser maria umbelina dos anjos) se calhar diria, "pobre e mal agradecido, nem vale a pena tentar ajudar quem não merece, tanta gente a passar fome e outros a rejeitar comida!", mas acho que por uma pessoa ser pobre, nem sempre o foi, é certo, foi até muito mimada, mas circunstâncias da vida atiram muito boa gente para o rol cada vez maior de pobres, mas o que é certo é que quem foi habituado a certos luxos, luxos que na mesma altura mais ninguém tinha, tem algumas bases e argumentos para ser picuinhas quanto ao tipo de ajuda que recebe. Nem todos gostam do mesmo e nem todos gostam de tudo. Eu, quando não gostava de alguma comida, não comia, ouvia logo "não comes, é porque não tens fome", tinha fome, mas mesmo assim não queria aquela comida. Claro que não sou dos tempos em que que uma sardinha dava para três,(mas nunca se sabe para onde caminhamos) e se houvesse uma côdea de pão duro e uma malga de caldo já era uma coisa boa, nesse dia não havia fome. Mas mesmo assim, pode uma pessoa manter as suas ideias ou vai logo para a categoria dos mal agradecidos? Aceitar tudo o que nos dão, e que só dão porque já é algo que não lhes faz falta (sim, porque a caridade é muito bonita, mas ninguém dá a peça favorita que tem no armário, hipocrisia maybe??) ou era algo de que até não gostavam particularmente, é ser um bom agradecido? É assim que uma pessoa pobre deve fazer ou tem direito a algo mais? Enfim, não sei se este post faz sentido e se percebem o meu ponto de vista, até porque escrevi-o depois de comer uma malga de morangos com vinho do porto e a sentir um ligeiro formigueiro nas pernas, por isso...

8 comentários:

Miss Purple disse...

Compreendo..e compreendo também que uma pessoa possa ser esquisita, mas se tem de ir buscar comida a esses locais, deve-se pelo menos tentar mostrar-se agradecido. Pois, infelizmente, precisa-se. E não sabemos o dia de amanhã.

JS disse...

Bom, eu sou "fundamentalista" no que toca à caridadezinha. Se calhar a história que acabei de publicar é capaz de justificar um pouco o ódio de estimação que ganhei a esse tipo de "ajuda", em que quem ajuda está mais a ajudar a sua própria consciência.
Sou de opinião que as pessoas precisam de trabalho pago com um salário digno e não de viver das migalhas de quem o pôs nessa situação.
No entanto tenho de reconhecer que há muita gente que diz mal só porque parece bem. Eu comi muitos anos no refeitório de uma empresa e se antes do 25 do A o capitão responsável pela despensa, roubava mais do que nos dava a comer, depois de Abril a comida não era de deitar fora e havia sempre quem dissesse mal. Curiosamente os mais "esquisitos" eram os ranhosos que, noutros tempos, aos fins de semana traziam de casa batatinhas com batatas.
Mas caridadezinha, nunca!
Paguem-nos o justo valor pelo nosso trabalho e metam os restos no cu! :$

Jorge disse...

No meu dicionário existe uma palavra que eu prezo muito que se chama gratidão...Quem de facto precisa e vê as suas necessidades supridas pela boa vontade dos outros, só tem que estar grato...acho que não preciso de escrever mais nada!
Beijinho, simpática!

Miguel Pereira disse...

Compreendo a tua opinião, mas quem está numa situação complicada também não tem essa capacidade de se fazer de esquisito. É uma situação muito difícil...

http://ummarderecordacoes.blogs.sapo.pt/

JS disse...

Então, quando é que voltas? :)

JS disse...

Vou fazer um abaixo-assinado a pedir que da próxima vez que aqui venhas, te amarrem ao blog. Ahahahah

Alana disse...

Percebo completamente :)
Segui, passas no meu ? Obrigada, bj apartirdas7h.blogspot.pt

JS disse...

Oh "melher", tu diz qualquer coisa que uma pessoa está aqui preocupado, não me tenhas tu ficado praí debaixo do muro da universidade. xD